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SAÚDE

Tecnologia: Do Dano ao Reparo

Com os mesmos recursos tecnológicos que “adoecem”, pessoas têm sido reabilitadas

02/05/2020 07h28
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Todo mundo já ouviu falar que o uso constante do celular, tablet, notebook e afins trazem muitos malefícios à saúde, inclusive - e por que não, principalmente? -, dos mais jovens que são os que mais utilizam seja a trabalho por horas a fio em frente ao computador ou por puro lazer.

Os danos são muitos e todos muito relevantes, como problemas de postura, perda auditiva por conta do uso excessivo de fone com alto volume, aumento do sedentarismo, visto que as crianças passam horas em frente à TV ou aos videogames ao invés de estarem brincando, gastando suas energias.

Basta lembrar que o sedentarismo é uma grande porta para outros acometimentos. Diabetes, obesidade, insônia, ansiedade e dependência dos aparelhos são alguns dos exemplos que podem ser diagnosticados ainda na infância, sem contar com os riscos posteriores na vida adulta, como doenças cardiovasculares, hipertensão e depressão, por exemplo.

A então chamada gameterapia chegou pra ser a exceção à regra pra alguns. Técnica desenvolvida no Canadá, em 2006, que ganhou milhares de adeptos mundo afora, tem sido muito procurada e com a interatividade que os games proporcionam, os pacientes podem fazer diversos tipos de exercícios, cada um com diferentes objetivos, simulando movimentos reais. Os benefícios têm sido extraordinários, pois melhora na coordenação motora, orientação espacial, treina o equilíbrio dinâmico, aumenta a habilidade funcional, favorece a plasticidade neural, entre outros.

Neste caso, com os mesmos recursos tecnológicos que “adoecem”, pessoas têm sido reabilitadas. O AVC, por exemplo, já foi alvo de estudos com ajuda de um conjunto de softwares de realidade virtual para reabilitação motora e neurofuncional. A paralisia cerebral - síndrome de Down -, também tem se beneficiado com os jogos. Nestes casos, o Wii é melhor utilizado e visto como grande aliado já que de, forma mais lúdica e “atualizada”, os pacientes têm tido ótimos resultados, possibilitando engajamento e acessibilidade para os pacientes no lugar das sessões com ritmo maçante da fisioterapia tradicional. No caso da obesidade infantil, por exemplo, também há maneiras de ter resultados, porém um impasse que se tem encontrado, apesar de resultados positivos, é a carência que esta modalidade de jogos apresenta no aspecto técnico “enredo”, sendo este um ponto que pode dificultar a adesão do paciente à modalidade de terapia pela ausência de história.

Encarando todas as possibilidades, é notório que a tecnologia pode ter os dois lados, tanto trazendo malefícios a longo prazo como benefícios para quem faz uso dela.

Então, só nos resta utilizá-la com moderação, sobretudo no momento atual, em que todos que estão em confinamento buscam todo tipo de passatempo, para superar o estresse e a angústia de um sedentarismo, agora, forçado.

Bárbara Leal de Lima é estudante de Fisioterapia

@babileall

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